domingo, 4 de novembro de 2007

Inocência Perdida

Agarro-me aos grossos e pesados pensamentos que me invadem a cabeça num rodopio constante. Lembranças, memórias, confortos quase de outra vida, facilidades e privilégios outrora meus. Fantasias dinâmicas e coloridas ilustravam o quotidiano do meu ser, ainda com idade de se contar pelos dedos das mãos. Tudo era tão mais belo, simples, alegremente falso e despreocupante. Saudade. Saudade do tempo das batas, da lancheira, de pintar com os dedos, de ser rebelde e ir para a cama às dez da noite, do sorriso forçado no colo do Pai Natal, de estar constipado e ficar em casa, de cantar a tabuada, de pôr o dente debaixo da almofada, de poder entrar nos insufláveis, de dizer a verdade sem ter medo das consequências, de ir para o mar nu, de ser estupidamente feliz.

A infância é um sonho. Vivemo-lo intensamente sempre com o desejo de crescer, mas quando acordamos só queremos voltar a dormir. O passado ainda pulsa intensamente enquanto que o futuro nada é senão mistério.


abreu, que não sabe para que lado se há-de virar

2 comentários:

D. Maria e o Coelhinho disse...

Meu deus! que saudades...


Coelhinho (a alma)

Enthilza disse...

Roubar fruta, ter os dedos sujos, A DESCOBERTA. Custa aperceber-mo-nos de como são mesmo as pessoas. E no entanto comemoramos sempre mais um ano para dentro da indeferência e apatia, mais um ano em que perdemos a alegria e inocência.