terça-feira, 25 de setembro de 2007

Somos grandes, mas somos todos.

Só me orgulho de um único e simples facto: sou humano. Nada nem niguém me pode privar disso a não ser que me tire a própria vida.

Frase que me ocorreu num dos meus momentos de contemplação do tecto. Sou da opinião que todos devem reflectir no mínimo uma vez por dia, nem que seja por breves segundos. Esta veio a propósito de um exercício mental, no qual me caracterizava a mim mesmo, e cheguei à pergunta: Serei eu orgulhoso? Aí fez-se luz.

Não é por acaso que o orgulho é um dos setes pecados mortais. Traz problemas, nunca soluções. Sentimento tão próximo da vaidade, que evita o perdão e mergulha na arrogância.

A sociedade em geral é orgulhosa. Há o orgulho na sua nação, na sua cor de pele, na sua sexualidade... mas orgulho em ser humano, e simplesmente humano, não.

Uma linha ténue separa o patriotismo desta temática. A diferença está no seguinte facto: algo me diz que nunca toleraria que alguém vindo do outro lado do mundo se apoderasse do país onde vivo, mas igualmente discordaria da deportação de estrangeiros residentes na casa ao lado.

A necessidade de denominação está na base do preconceito. Heterossexuais, homossexuais, transexuais, negros, brancos... tudo e todos nos tornam exlusivos de um grupo e nada nem ninguém nos engloba a todos em apenas num. Pessoas - nao passamos disso, o resto é palha. Pormenores insignificantes que não influenciam o que somos ou um dia podemos ser.

Ainda existe o tipo de pessoas que se contradiz: querem igualdade e no dia a seguir estão a atravessar a estrada com uma bandeira das cores do arco-íris, de forma a celebrar as suas diferenças. Para mim não faz sentido, mas cada um deve fazer o que acha que está correcto.

Não é minha intenção ferir a susceptibilidade de ninguém, mas a sociedade devia aprender a pensar não nas diferenças que nos separam, mas sim na igualdade que nos une a todos e não deixa ninguém de parte. Os humanos governam o mundo e têm a capacidade de viver por mais de meio século:

Não teremos nós tempo e oportunidade de nos apreciar como espécie que somos e viver pacificamente?

.abreu.

2 comentários:

Enthilza disse...

O problema é que a espécie que somos traz todos esses defeitos englobados. Estarão no nosso sub-consciente esses ditos defeitos? De maneira alguma. A civilização os cria, inconscientemente somos bombardeados com guias de como sentir, andar, pensar, viver, até respirar (inspira pelo nariz e expira pela boca). Desde pequenos é-nos fortemente induzidos sentidos de patriotismo e noções de sentimento.

Repara, um ser humano deixado no mato em criança, não sei se já deste em filosofia o caso daquelas irmãs que foram criadas como lobas. Quando elas foram trazidas novamente à sociedade, não tinham consciência do que era o sentimento, não eram capazes (no sentido total e absoluto da palavra) de sentir inveja ou orgulho. Na minha opinião, todos nós vimos com esses instintos básicos, e é normal que nos sintamos bem quando fazemos um bom trabalho (neste exemplo em particular estou a referir-me ao orgulho laboral e não ao de posessão), e é normal que nos sintamos impelidos a proteger a nossa dignidade, num minímo. A questão (e aí é que está o cerne do que estou para aqui a dizer) é que todos esses instintos primordiais são hipérbolados pela sociedade. Desde cedo é imposta a ideia que tens PODER sobre as coisas (como era o teu exemplo do patriotismo) e que, como tal, quando essas coisas te são privadas, tens que ter um certo tipo de reacção, como ficar muito indignado, mesmo que não te importes. É veiculada a ideia que TENS que reagir de forma orgulhosa e magoada quando alguém comete um erro para contigo.
São criadas reacções automáticas para situações comuns, e como tal todos reagimos que nem robôs.

Enfim, vou-me deixar de divagações idiotas que isto tá enorme :/

Minhocas na Maçã disse...

enthilza: muito obrigado pela tua longa divagação! =) ainda só tive duas aulas de filosofia, mas quando chegar a essa historia vou concerteza adorar! dou-te razao, a sociedade está muito robotizada e as influencias que nos tornam assim vao directamente para o nosso subconsciente. ha uns tempos atrás desenvolvi um ódio a tudo o que era portugues, ate me olhar ao espelho e ver que estava a ser ridiculo... aprendi a moderar as coisas e agora ja se desvaneceu (quase) toda essa raiva dentro de mim. gosto do pais onde vivo pois foi onde fui criado e onde estao as pessoas que mais amo, mas isso nao invalida que o mesmo poderia ter-se passado noutro país qualquer. podemos observar, com exemplos da historia, que o orgulho exagerado levou muitas vezes a conflitos e guerras bem complicadas, por isso há que haver moderação.

um bom exemplo de orgulho (parvo) é qd dois amigos ou namorados se chateiam, até um deles pedir desculpa ao outro é, em muitos casos, uma eternidade que passa. ambos desejam pedir o perdao mas julgam que lhes dá cabo da dignidade se o fizerem.

é tudo tao complexo e esquisito neste mundo, oxalá nós, gente jovem, um dia consiga mudar um pouco os erros dos nosso antepassados. =/